domingo, 10 de janeiro de 2010

Manifesto


Bem-vindos ao blog de Octa-Dome - Creature Fighting Championship, sintam-se em casa! Não posso expressar com palavras a satisafção que tenho em poder compartilhar esse projeto com vocês. Nesse post inaugural do blog, falarei um pouco do universo de Octa-Dome, do que me motivou a criar um projeto taxado de ambicioso por alguns e de "até que é bacaninha" por outros e desabafarei um pouco sobre a lastimável situação das fanzines no Rio de Janeiro (talvez no Brasil todo esteja desse jeito, vai saber). A fanzine custa apenas R$ 1,50 e está disponível já a partir desta semana.

Apesar de ter elementos de algo "manjado" e até super-explorado, Octa-Dome não é uma bobagem que dá a impressão que você já havia lido antes.É uma HQ de porradaria de monstros, com torneios, protagonistas viajantes e pessoas malvadas? SIM E NÃO. Sim, porque tem tudo isso e não porque NÃO É SÓ ISSO. Não quero fazer uma releitura de coisas que passam no fim de tarde e nas manhãs da TV aberta, quero acrescentar, subverter e dar meu toque a algo que já existe, criando assim uma coisa nova, que talvez vocês gostem. Esse projeto é todo cheio de ficção científica, reflexões sobre conceitos de política, relações inter-pessoais, questionamentos sobre a dinâmica do convívio em sociedade e até mesmo sobre a natureza humana. O gênero só foi algo para fazer o remédio não ficar tão amargo assim, afinal, ninguém compra HQs para ficar de neurose com as mazelas da humanidade, mas sim para se diveritir. Só acho que o divertimento também pode acrescentar sem deixar de ser divertido. Quero abordar tudo isso que falei, mas de uma maneira "light", é isso que vocês podem esperar da HQ.


Octa-Dome foi criado para ser uma opção radicalmente diferente do que se vê nas mesinhas de eventos de anime atualmente. Fiz isso para fugir do lugar comum e evitar a já quase inevitável sensação de "deja-vu" que um leitor crítico, daqueles que não simplesmente consumem, sente passar pela espinha toda vez que põe os olhos (quase sempre míopes) em uma zine. Se fosse para fazer algo assim, faria um favor pra humanidade e pro meio-ambiente não levando uma bobagem dessas adiante. Essa coisa do deja-vu se dá por um simples motivo: falta completa de vontade de inovar. É mais fácil fazer um equivalente mangá de junk-food, totalmente popularesco e pão-com-ovo do que pensar um pouco e arrancar um "com essa eu não contava" de leitores surpresos.de cada 100 zines, 99.5 seguem o caminho junk-food, o jeito "Mc Mangá", e isso é simplesmente triste de se ver. Não apenas o mangá está se tornando um arremedo de si mesmo aqui no Brasil, como também os leitores de quadrinhos estão abaixando seus padrões e lendo porcarias ou simplesmente desistindo de acompanhar publicações que geralmente são absurdamente caras...


Penso que quem escreve esse bando de besteiras que poluem os eventos atualmente sobre garotas mágicas, ninjas, colegiais e coisas sobrenaturais clichê com direito a cópias descaradas da Chun-Li (que deprimente>.<) deveria ler a própria HQ, pensar se é aquele mesmo o caminho que vale a pena trilhar ou simplesmente contratar um escritor/roteirista que tenha algo pra dizer. Sim, é esse o momento em que alguém pergunta: "por que eles não fazem esse tipo de reflexão?", e a resposta é tão simples, tão básica e sem profundidade quanto essas obras "magníficas"... VENDER PORCARIA DÁ LUCRO, E UMA BASE DE LEITORES SEM CÉREBRO É MAIS FÁCIL DE SE MANOBRAR!


Esse tipo de gente, que diz gostar de mangá, amar anime e afirmar que é orgulhosamente independente (embora qualquer um mate ou morra pra se profissionalizar) ou que deu o próprio sangue pra fazer aquilo ali simplesmente disfarça suas estratégias, deficiências ou maldades com imagens tecnicamente bonitas, efeitos totalmente desnecessários feitos em computador, clichês rançosos e pura idiotice. Tal atitude reprovável me faz lembrar das minhas aulas de literatura e artes, onde aprendi sobre um movimento artístico/literário chamado Parnasianismo. Os parnasianos preocupavam-se emcriar coisas belas, cada vez mais belas, até que se chegasse ao limite. Muito bom até ai, mas agora que a coisa começa a ficar ruim... A característica princiapal do Parnasianismo era a maneira peculiar de abordar a arte: ela era vista como um FIM, não um MEIO. Parnasianismo era arte pela arte! Questões sociais, questionamentos existenciais e qualquer coisa que não fosse "bonitinha" ficava de fora. Pra quê conteúdo, se é bonito e faz sucesso? é exatamente disso que eu fujo é disso que eu tenho medo...


Para mim, beleza não é fundamental, é só um meio de chamar atenção para a mensagem que se quer passar. Quem só quer saber de beleza, geramente não tem mensagem... O belo é algo até dispensável, dependendo da idéia que o artista quer transmitir. No quadro "Guernica", Pablo Picasso usou seu estilo característico, considerado grotesco por muitos de seus contemporâneos e até mesmo abdicou das cores deliberadamente, e conseguiu criar um dos mais pungentes documentos dos horrores da guerra civil espanhola. Era um quadro feio que retratava algo feio e transmitia uma mensagem, coisa que parece ser impossível ou impraticável para fanzineiros que têm o ego inflado, acham que sabem todas as regras do livrinho e sofrem (fazendo outros sofrerem no processo) para fazer algo mais "fofo" que a Hello Kitty. Já me foi dito que, quando você está contente em fazer uma HQ, você deve parar e jogar o que fez no lixo e tentar fazer algo melhor... Que estúpido! Você está bem quando passa a mensagem que quer passar, isso é sucesso.


Para acabar isso, que começou como um post e por pouco não virou um ensaio sobre a situação dos quadrinhos no Brasil, gostaria de dizer aos neo-parnasianos de plantão que mesmo que a lâmpada de vocês não brilhe, isso não dá direito a vocês de apagarem a luz dos outros. Meus desenhos são meios de contar uma estória, não um fim por eles próprios, vão catar conteúdo pra fazer algo menos juvenil e que preste, ao invés de encherem o saco com exigências técnicas e inventando erros onde eles não existem. E mesmo que existam, e daí? A graúna do Henfil é linda por acaso?

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